- aprender a pensar -
mail: tiomas@yahoo.com
Academia Studiosus
tel. 91 668 63 99 / 91 819 29 64
I) O que é o Pensamento
Crítico – algumas definições históricas
d) Competências e Técnicas do Pensador Crítico
h) Resultados obtidos no fim do Módulo I
i) Objectivo final do Curso de Pensamento Crítico
I) O que é o Pensamento
Crítico – algumas definições históricas
John Dewey – O Pensamento Crítico é o estudo activo,
persistente e cuidado de uma crença ou de uma suposta forma de conhecimento
através da análise dos fundamentos que a apoiam e das conclusões para que
apontam.
Robert Ennis – O Pensamento Crítico é um pensamento razoável e reflectido, preocupado em ajudar-nos a decidir em que acreditar ou o que fazer.
Richard Paul – O
Pensamento Crítico é uma forma de pensamento – acerca de qualquer assunto ou
problema – no qual o pensador melhora a qualidade dos seus raciocínios
recorrendo a técnicas que lhe permitem captar as estruturas inerentes ao
pensamento e impondo-lhes uma exigência intelectual elevada.
Michael Scriven – O Pensamento Crítico é uma interpretação e avaliação activa e competente de observações, comunicações, informações e argumentações.
O Pensamento Crítico é uma
disciplina que pretende desenvolver a capacidade para compreender,
avaliar e apresentar raciocínios e argumentos, ou seja, pretende ensinar
os alunos a pensar por si próprios.
Relevância do Pensamento Crítico para
qualquer área do conhecimento
Filosofia e Pensamento Crítico –
Pensamento Crítico não é filosofia. Não é possível fazer filosofia sem pensar
criticamente, mas é possível pensar
criticamente sem fazer filosofia.
Aprendizagem directa (e não transversal ou indirecta)
das técnica de Pensamento Crítico.
Saber pensar é fundamental – todos sabemos pensar,
mas nem todos o fazemos da melhor forma.
Este curso tem como
objectivo principal ensinar técnicas de Pensamento Crítico: a habilidade
para interpretar, analisar, avaliar e criar ideias,
raciocínios e argumentos.
Procura-se ensinar essas
técnicas de forma directa e não de forma indirecta como
normalmente se procura fazer nas escolas através das diferentes disciplinas
leccionadas.
Estas técnicas podem ser
usadas com sucesso em qualquer área dos estudos e da vida uma vez que pensar
correctamente, i.e., analisar as nossas fontes, razões e argumentos
de forma clara e precisa são, objectivamente, mais valias.
Um dos pressupostos do
pensamento crítico é, exactamente, que este é uma competência básica como o
são a leitura e a escrita e que, como estes, deve ser ensinado de forma
directa. Não basta, como normalmente se faz, confiar que os alunos aprendam
a pensar de forma crítica como que por osmose,
ou seja indirectamente (por ex. nas aulas de história, física ou português). A
aprendizagem directa das técnicas de analise e avaliação de argumentos e a
prática dessas técnicas em argumentos concretos é a forma mais eficaz (e
divertida) de se aprender a pensar correctamente.
Outro pressuposto do Pensamento Crítico é que ninguém deve procurar
pensar pelo aluno e que só pensando por si mesmo é que este pode chegar a
desenvolver boas formas de pensamento. É o aluno que deve procurar por si mesmo
melhorar activamente as formas como raciocina e se expressa, cabendo ao
professor um papel sobretudo orientador.
Os alunos foram, desde o
início, incentivados a pensar sobre temas e problemas concretos, a desenvolver
raciocínios e a criar argumentos próprios.
Foram aconselhados a ter
consigo um “Caderno de Pensamento Crítico” que lhes permite auto-avaliarem-se
ao longo do curso facilitando assim a identificação das dificuldades e
obstáculos que vão surgindo, assim como a assimilação das técnicas adequadas
para os superar.
Mudar as nossas formas
erradas de raciocinar implica perseverança, prática e “feedback”. Os argumentos
dos alunos foram constantemente avaliados quer pelo professor quer pelos seus
colegas de forma a, em grupo, encontrarem os erros nos seus raciocínios e a
corrigir e melhorar os seus argumentos.
A determinada altura foi
fornecido aos alunos um esquema de raciocínio “Os Cinco Primeiros Passos do
Pensador Crítico , i.e., um conjunto de passos que os alunos devem
obrigatoriamente dar ao analisarem criticamente um argumento ou raciocínio. Por
ex: qual a conclusão principal deste argumento?; quais as razões
apresentadas?; essas razões são sólidas?; o que é pressuposto
pelo argumento?; etc.
Durante o curso incentiva-se a discussão e a formulação de
argumentos sobre temas actuais, retirados de fontes acessíveis aos alunos:
jornais, revistas, telejornais, artigos de opinião, editoriais, mitos urbanos,
opiniões do senso comum, etc. Numa fase mais adiantada procurar-se-ão temas de
discussão em áreas como a história da filosofia (área privilegiada do
pensamento crítico), assim como em matérias que os alunos encontrem nas suas
disciplinas escolares.
As aulas devem ter um número
reduzido de alunos interessados e motivados (5 ou 6 é o ideal).
Nota: em minha opinião nem todos os alunos destas idades
(10 aos 15 anos) estão (ainda) preparados para frequentar um curso de
Pensamento Crítico. É necessária uma certa maturidade e uma motivação pessoal
extra para frequentar um curso extra- curricular sem resultados imediatos (como
notas no final de um período ou ano lectivos e eventual reprovação).
Os benefícios deste curso
são no entanto bem concretos e são realmente sentidos pelo aluno no médio
prazo. No fim do primeiro módulo (aqui apresentado) os alunos demonstraram ter
adquirido uma série de competências e aprendido a dominar uma série de técnicas
que lhes permitem, com alguma facilidade, identificar um argumento e distingui-los
de um não argumento (sem conclusão não há argumento), analisar argumentos e,
ainda que de uma forma incipiente, avaliar as razões e as conclusões desses
argumentos. Espera-se que no fim dos três módulos do Curso os alunos tenham
também melhorado significativamente a forma como formulam os seus próprios
raciocínios e argumentos, fazendo-o de forma clara e precisa.
d) Competências e Técnicas
do Pensador Crítico
Pensar criticamente implica
a posse de algumas competências e, para tal, o domínio de algumas técnicas
que devem ser aprendidas e praticadas (como as técnica de qualquer desporto,
arte ou profissão)
Entre as competências
que um Pensador Crítico deve possuir encontram-se as seguintes:
reconhecer os problemas;
encontrar os meios adequados para lidar com esses problemas; reunir informação
pertinente; reconhecer pressuposições e valores não explícitos; compreender e
usar a linguagem com clareza e exactidão; interpretar informações; avaliar
provas e afirmações; reconhecer a existência de relações lógicas entre
proposições; retirar conclusões e generalizações seguras e fidedignas; testar
essas mesmas conclusões e generalizações; compreender avaliar e modificar (se
necessário) o seu padrão de crenças; avaliar e ajuizar de forma segura e
correcta problemas e questões específicas do quotidiano.
Para desenvolver estas
competências individuais dos alunos o curso procura ensinar e pôr em prática as
seguintes técnicas:
Identificar e avaliar os
diferentes elementos presentes num raciocínio/argumento (razões, conclusões,
pressupostos, valores, informações, explicações, etc.); clarificar e
interpretar expressões e ideias; avaliar a aceitabilidade e a credibilidade de
afirmações; analisar, avaliar e produzir explicações; analisar, avaliar e tomar
decisões; concluir correctamente a partir das razões apresentadas; produzir
argumentos claros e precisos.
Módulo I (12 aulas/12 horas) – Compreender e analisar a
estrutura de raciocínios e argumentos.
No fim deste módulo os
alunos deverão conseguir dominar as técnicas mais básicas de PC que lhes
permitirão, com alguma facilidade, compreender o significado dos argumentos,
identificar e analisar a estrutura dos raciocínios, assim como começar a produzir
os seus próprios raciocínios e argumentos de forma mais clara e precisa.
Módulo II (idem) – Avaliar raciocínios e argumentos.
Neste módulo espera-se
que os alunos já saibam quando estão diante de um raciocínio e que saibam
identificar as diferentes partes de um argumento (Módulo I). Agora iremos
iniciar os alunos na área do Pensamento Crítico propriamente dito, ou seja,
ensinaremos os alunos a avaliar criticamente os raciocínios e argumentos que
têm pela frente.
Módulo III
(ibidem) – Formular argumentos correctos.
Neste
módulo procuraremos pôr em prática os ensinamentos dos dois módulos anteriores.
Os alunos serão incentivados a escrever os seus próprios argumentos sobre os
mais variados temas, a apresentá-los nas aulas e a discuti-los com os seus
colegas.
1) Identificar algumas técnicas e competências
fundamentais para pensar
criticamente.
2) Confrontar os alunos com algumas fraquezas e erros
de raciocínio comuns (ex. não identificar correctamente o tema em questão;
não avaliar correctamente as razões, não identificar a conclusão principal do
argumento; não compreender a importância dos pressupostos do argumento; avaliar
o argumento de uma forma muito geral e intuitiva – do género, concordo, não
concordo – sem saber especificamente quais as partes do argumento que falham,
ou quais as mais fortes, etc.)
3) Entrar em contacto com algumas formas correctas de
pensar criticamente (identificar o tema e a conclusão principal do
argumento, avaliar e apresentar as suas razões, formular argumentos
correctamente, tomar decisões, compreender de que forma as razões de um
argumento se relacionam umas com as outras - de forma independente ou conjunta,
existem conclusões intermédias?); identificar pressupostos; construir mapas de
argumentos de forma a tornar mais concreto um raciocínio que é, por natureza,
abstracto, etc.
4) Treinar o
Pensamento Crítico em argumentos curtos.
5) Enfrentar verdadeiros problemas (argumentos
mais complexos, tomadas de decisão reais, etc.)
Aula 2_ Argumentos – Nesta aula ensinou-se os alunos a identificar
argumentos e aprender a distinguir argumentos de não argumentos. Pediu-se
também aos alunos que identificassem as conclusões dos argumentos.
Exercício:
a) Fumar
faz mal à saúde. Cada cigarro tem 8 miligramas de alcatrão. O fumo dos cigarros
deixa um cheiro horrível e, além, disso os cigarros são caros.
1) Argumento
ou Não
argumento
2) Conclusão: sem conclusão
b) Fumar
faz mal à saúde pois sempre que fumas um cigarro estás a fumar 8 miligramas de
alcatrão entre outras substâncias tóxicas. Além disso os cigarros deixam um
cheiro horrível e são caros. Por isso acho que devias deixar de fumar.
1) Argumento ou
Não
argumento
2) Conclusão: acho
que devias deixar de fumar
Aulas 3 e 4_Razões e
Conclusões – Nesta aula iniciou-se
os alunos na análise da estrutura dos argumentos. Ensinou-se os alunos a
distinguir razões de conclusões e a perceber que existem boas e más razões.
Exercício_1:
Para cada uma das conclusões apresentadas escolhe aquela que
achas que é a melhor
Razão.
Conclusão: Os dadores de sangue deviam ser pagos.
a)
A
recolha de sangue é um processo muito caro.
b)
As
pessoas que dão sangue normalmente fazem-no porque querem ajudar os outros.
c)
Existem
muito poucos dadores de sangue e o pagamento iria incentivar mais pessoas a
darem sangue.
Exercício_2:
Para este exercício pediu-se aos alunos que se juntassem aos pares. Um
dos alunos era o Alfa, o outro o Beta.
a) O Alfa começa por escolher uma conclusão curta e simples na qual acredita. O Alfa tem dois
minutos para pensar numa conclusão e apresentá-la ao seu colega e deve
guardar a(s) sua(s) razão para si.
b) Agora o Beta deve apresentar algumas razões que defendam o
melhor possível a afirmação do Alfa. Tem dois minutos para o
fazer.
Com este exercício
pretendeu-se mostrar aos alunos que pessoas diferentes podem ter pontos de
vista diferentes e apresentar razões diferentes para as mesmas conclusões. Ou
seja, pretendeu-se mostrar que diferentes razões têm diferentes pesos para
diferentes pessoas. Facilitou-se a discussão entre os alunos.
Aula 5_A linguagem do
raciocínio – Nesta aula pretendeu-se
ensinar aos alunos a forma correcta de apresentar as razões e as conclusões num
raciocínio/argumento
Procurou-se demonstrar que o uso das palavras adequadas nos sítios da
frase adequados poderá ajudá-los a:
1)
Compreender melhor a
estrutura de um raciocínio que queremos avaliar
2)
(se necessário)
re-escrever um argumento correctamente.
3)
apresentar
correctamente um raciocínio de forma a que os outros o percebam claramente.
Algumas palavras
indicadoras de razões e de conclusões: “Porque...”; “Como tal”;
“Portanto...”; “Dessa forma...”; “Consequentemente...”; “Daí concluo que...”;
“Sou forçado a admitir que...”; “Temos de aceitar que...”; “Dado que...”; “Se
aceitarmos estas razões temos de concluir que...”
Com o uso destas palavras pretendeu-se também demonstrar aos alunos uma
característica essencial do Pensamento Crítico, a ideia que um Pensador
Crítico quer perceber e ser bem percebido pelos outros, pois só assim pode
discutir claramente as suas ideias.
Foram apresentados dois
exemplos de argumentos (um que recorria às palavras adequadas, outro que não
fazia uso delas) e pediu-se aos alunos que indicassem qual dos argumentos entendiam
mais facilmente.
Exercício:
Comprei o meu bilhete de avião há mais de dois meses. A TAP tem de me
pagar uma indemnização pelos prejuízos que me causou. O hotel que reservei no
Brasil para passar as férias já está pago. Não tenho culpa da greve de pilotos
que me fez perder o avião.
ou
Comprei o meu bilhete há mais de dois meses e já paguei o hotel que
reservei no Brasil para passar as férias. Além disso não tenho culpa da greve
dos pilotos que me fez perder o avião, por todos esses motivos acho que a TAP
deve pagar-me uma indemnização pelos prejuízos que me causou.
Nota: Com este tipo de exercícios pretendeu-se confrontar
os alunos com a necessidade de apresentarmos aquilo que queremos dizer de uma
forma correcta e ordenada, i.e., o menos confusa possível, para que nos
entendam o melhor possível.
Aulas 6 a 8_A Estrutura
dos Argumentos.
Nestas aulas procurou-se
mostrar aos alunos que as razões de um argumento podem apoiar a conclusão de diferentes
maneiras: algumas razões apoiam sozinhas a conclusão (razões independentes)
outras razões precisam do apoio de outras razões para apoiarem a conclusão
(razões conjuntas), outras razões, ainda, funcionam como conclusões
intermédias. Também se iniciou os alunos na técnica dos mapas de argumentos
(argument mapping) – o desenho da estrutura de um argumento.
Exercício:
Faz
o mapa da estrutura dos seguinte argumentos:
a) As pessoas deviam poder fumar em todo o lado. Fumar não é ilegal e,
além disso, milhões de pessoas têm muito prazer em fumar.
.
R1 R2
¯ ¯
¾¾¾¾¾
C
Nota: este é o exemplo do mapa de um argumento com razões
independentes.
b) A
poluição nos nossos rios está a aumentar a cada ano que passa. Quanto mais
poluído for um rio, mais danos são causados aos animais que nele vivem. Como
tal, a menos que se faça algo em relação à poluição dos rios o número de
animais que vivem nos rios irá diminuir drasticamente. Contudo, não existem
planos para diminuir a poluição dos nossos rios. Por isso muitos dos animais
que vivem nos nossos rios irão morrer.
R1 +
R2
¯
CI + R3
¯
C
Nota: este é o exemplo do mapa de um argumento com Razões
Conjuntas e uma Conclusão Intermédia.
Aulas 9 e 10_Introdução
aos pressupostos
Nestas
aulas procurou-se ensinar os alunos a identificar pressupostos (os
elementos invisíveis de um argumento) e a perceber a sua importância enquanto
aquilo em que o autor do argumento tem de acreditar (sem o escrever ou dizer)
para que a conclusão do seu argumento seja possível. Procurou-se mostrar que,
descoberto o pressuposto de um argumento, podemos não concordar com ele e,
nesse caso, temos um bom motivo para não aceitar a conclusão que ele apoia.
Exercícios:
Encontra os pressupostos em
que autor dos seguintes argumentos tem de acreditar para que as suas conclusões
sejam verdadeiras:
1) O cérebro das mulheres é em média mais pequeno que o dos homens,
daí podemos concluir que as mulheres são menos inteligentes que os homens.
[Pressuposto: o tamanho do cérebro de uma pessoa
indica o seu grau de inteligência.]
2) O ladrão deve ter fugido pela escada de incêndio. Já
não está no edifício, mas ninguém o viu sair e todas as portas têm um guarda.
[Pressuposto: vários]
Nota: esta matéria foi mais bem assimilada pelos alunos
mais velhos (13_15 anos) que eram capazes de encontrar/imaginar os pressupostos
de um argumento, a maior parte das vezes, sem ajuda.
Para os alunos mais novos
(10-13 anos) eram dadas pistas com alguns exemplos de pressupostos possíveis e
era-lhes pedido que escolhessem um:
Por Ex:
A)
Há menos mulheres que
homens a tirar cursos superiores.
B)
Alguns homens são mais
inteligentes que algumas mulheres.
C)
Como as mulheres são em
média mais pequenas que os homens é natural que os seus cérebros sejam mais
pequenos.
D)
O tamanho do cérebro de
uma pessoa indica o seu grau de inteligência.
.
Aula 11_Os cinco primeiros passos do Pensador Crítico
Nesta aula resumiu-se a
matéria dada e ensinou-se aos alunos um esquema muito simples a que se chamou
“Os cinco primeiros passos de um Pensador Crítico”.
1 – Encontrar a Conclusão Principal (C) do
argumento.
É muito importante começar por
perguntar o que é que o autor do argumento quer provar. Isso faz com que nos
concentremos apenas no assunto principal e ignoremos aquilo que não é
importante para o argumento.
2 – Quais são as Razões apresentadas?
Depois de encontrares a conclusão
principal do argumento é mais fácil identificares as razões apresentadas em sua
defesa.
3 – Qual é a estrutura do argumento?
Quantas razões tem o argumento?
Estas são apresentadas de forma independente ou conjunta? Existem razões
intermédias?
4 – O argumento depende de alguma pressuposição?
Qual?
Em que é que o autor tem de
acreditar para que a sua conclusão seja verdadeira? Essa pressuposição apoia
uma das razões ou uma conclusão intermédia?
5 – Desenhar o Mapa do Argumento.
Depois de encontrares os
elementos do argumento é altura de tornares visível a sua estrutura e mostrares
como é que eles se relacionam no argumento: (+), (¯), [Press]
Aula 12_Avaliação
Com
o teste de avaliação no final do Módulo I pretendeu-se sobretudo avaliar a
capacidade dos alunos em compreender e analisar a estrutura de raciocínios e argumentos.Para o Clube do Raciocínio
(10-13 anos) usaram-se argumentos com uma estrutura simples e no Curso de
Pensamento Crítico (13-15 anos) um argumento mais extenso e complexo.
h) Resultados obtidos no
fim do Módulo I
De um modo geral os
alunos do Clube do Raciocínio
demonstraram compreender a estrutura básica de um argumento. Com uma ou outra
excepção todos eles identificaram facilmente as razões e a conclusão principal
dos argumentos apresentados. De um modo ainda incipiente (com a excepção de um
aluno de 13 anos que desenhou dois mapas de argumentos correctíssimos)
mostraram compreender que aquilo que dá força a um argumento são as suas razões
e a forma como se relacionam entre si e com a conclusão. Compreender isto é um
primeiro passo para os alunos deixarem de avaliar aquilo que lhes é dito de
forma intuitiva e confusa, i.e., deixarem de olhar para um argumento, uma ideia
ou uma opinião como algo que é aceite ou rejeitado como um todo. Começarem a
olhar para um argumento como algo com uma estrutura mais ou menos sólida é um
primeiro passo para se tornarem bons Pensadores Críticos.
Quanto às alunas do Curso
de Pensamento Crítico, já eram muito boas
alunas e, como não foi feita uma avaliação no início do Curso, é difícil
quantificar os seus progressos. No entanto a forma como as duas analisaram um
texto com mais de mais de 5 mil caracteres, começando por fazer um breve resumo
do texto, identificando a sua Conclusão Principal, analisando as suas razões e
conclusões intermédias, encontrando pressuposições pertinentes, desenhando um mapa
do argumento bastante competente com as relações entre todos estes elementos do
argumento e apresentando de forma criativa a avaliação global quanto ao que foi
dito, a forma como o fizeram, dizia, não foi certamente aprendido nas
aulas do ensino público português, que ambas frequentam.
É claro que uma lacuna deste curso a remediar é a falta de um teste inicial de aptidões à capacidade dos alunos em pensar criticamente. Ou será esse teste mesmo necessário?
i) Objectivo final do Curso
de Pensamento Crítico
No fim dos três módulos
deste Curso de Pensamento Crítico espera-se que os alunos produzam melhores
raciocínios, apoiados em crenças mais credíveis e razões mais bem
fundamentadas. Consequentemente, que tomem decisões mais acertadas que aqueles
que não desenvolveram tão bem as competências e técnicas de
Pensamento Crítico.
As competências adquiridas
num curso de PC são objectivamente valiosas e transmissíveis. Por outras
palavras, não são para ser usadas apenas nas aulas de PC, mas ao longo da vida.
Por exemplo, alguém que esteja apto para identificar e avaliar criticamente as
provas que lhe são apresentadas num argumento terá maiores probabilidades de
vir a possuir crenças mais seguras e razoáveis do que alguém ingénuo e
acrítico. Não é difícil perceber que quem possui crenças mais razoáveis e mais
sólidas acerca de seja o que for será menos vezes induzido em erro e tomará
melhores decisões que aqueles que possuem crenças infundadas e irracionais.
Este curso tem como
objectivo principal ensinar técnicas de Pensamento Crítico: a habilidade
para interpretar, analisar, avaliar e criar ideias,
raciocínios e argumentos.
Procura-se ensinar essas
técnicas de forma directa e não de forma indirecta como
normalmente se procura fazer nas escolas através das diferentes disciplinas
leccionadas.
Estas técnicas podem ser
usadas com sucesso em qualquer área dos estudos e da vida uma vez que pensar
correctamente, i.e., analisar as nossas fontes, razões e argumentos
de forma clara e precisa são, objectivamente, mais valias.
Um dos pressupostos do
pensamento crítico é, exactamente, que este é uma competência básica como o
são a leitura e a escrita e que, como estes, deve ser ensinado de forma
directa. Não basta, como normalmente se faz, confiar que os alunos aprendam
a pensar de forma crítica como que por osmose,
ou seja indirectamente (por ex. nas aulas de história, física ou português). A
aprendizagem directa das técnicas de analise e avaliação de argumentos e a
prática dessas técnicas em argumentos concretos é a forma mais eficaz (e
divertida) de se aprender a pensar correctamente.
Outro pressuposto do Pensamento Crítico é que ninguém deve procurar
pensar pelo aluno e que só pensando por si mesmo é que este pode chegar a
desenvolver boas formas de pensamento. É o aluno que deve procurar por si mesmo
melhorar activamente as formas como raciocina e se expressa, cabendo ao
professor um papel sobretudo orientador.
Os alunos foram, desde o
início, incentivados a pensar sobre temas e problemas concretos, a desenvolver
raciocínios e a criar argumentos próprios.
Foram aconselhados a ter
consigo um “Caderno de Pensamento Crítico” que lhes permite auto-avaliarem-se
ao longo do curso facilitando assim a identificação das dificuldades e
obstáculos que vão surgindo, assim como a assimilação das técnicas adequadas
para os superar.
Mudar as nossas formas
erradas de raciocinar implica perseverança, prática e “feedback”. Os argumentos
dos alunos foram constantemente avaliados quer pelo professor quer pelos seus
colegas de forma a, em grupo, encontrarem os erros nos seus raciocínios e a
corrigir e melhorar os seus argumentos.
A determinada altura foi
fornecido aos alunos um esquema de raciocínio “Os Cinco Primeiros Passos do
Pensador Crítico , i.e., um conjunto de passos que os alunos devem
obrigatoriamente dar ao analisarem criticamente um argumento ou raciocínio. Por
ex: qual a conclusão principal deste argumento?; quais as razões
apresentadas?; essas razões são sólidas?; o que é pressuposto
pelo argumento?; etc.
Durante o curso incentiva-se a discussão e a formulação de
argumentos sobre temas actuais, retirados de fontes acessíveis aos alunos:
jornais, revistas, telejornais, artigos de opinião, editoriais, mitos urbanos,
opiniões do senso comum, etc. Numa fase mais adiantada procurar-se-ão temas de
discussão em áreas como a história da filosofia (área privilegiada do
pensamento crítico), assim como em matérias que os alunos encontrem nas suas
disciplinas escolares.
As aulas devem ter um número
reduzido de alunos interessados e motivados (5 ou 6 é o ideal).
Nota: em minha opinião nem todos os alunos destas idades
(10 aos 15 anos) estão (ainda) preparados para frequentar um curso de
Pensamento Crítico. É necessária uma certa maturidade e uma motivação pessoal
extra para frequentar um curso extra- curricular sem resultados imediatos (como
notas no final de um período ou ano lectivos e eventual reprovação).
Os benefícios deste curso
são no entanto bem concretos e são realmente sentidos pelo aluno no médio
prazo. No fim do primeiro módulo (aqui apresentado) os alunos demonstraram ter
adquirido uma série de competências e aprendido a dominar uma série de técnicas
que lhes permitem, com alguma facilidade, identificar um argumento e
distingui-los de um não argumento (sem conclusão não há argumento), analisar
argumentos e, ainda que de uma forma incipiente, avaliar as razões e as
conclusões desses argumentos. Espera-se que no fim dos três módulos do Curso os
alunos tenham também melhorado significativamente a forma como formulam os seus
próprios raciocínios e argumentos, fazendo-o de forma clara e precisa.
d) Competências e Técnicas
do Pensador Crítico
Pensar criticamente implica
a posse de algumas competências e, para tal, o domínio de algumas técnicas
que devem ser aprendidas e praticadas (como as técnica de qualquer desporto,
arte ou profissão)
Entre as competências
que um Pensador Crítico deve possuir encontram-se as seguintes:
reconhecer os problemas;
encontrar os meios adequados para lidar com esses problemas; reunir informação
pertinente; reconhecer pressuposições e valores não explícitos; compreender e
usar a linguagem com clareza e exactidão; interpretar informações; avaliar
provas e afirmações; reconhecer a existência de relações lógicas entre
proposições; retirar conclusões e generalizações seguras e fidedignas; testar
essas mesmas conclusões e generalizações; compreender avaliar e modificar (se
necessário) o seu padrão de crenças; avaliar e ajuizar de forma segura e
correcta problemas e questões específicas do quotidiano.
Para desenvolver estas
competências individuais dos alunos o curso procura ensinar e pôr em prática as
seguintes técnicas:
Identificar e avaliar os
diferentes elementos presentes num raciocínio/argumento (razões, conclusões,
pressupostos, valores, informações, explicações, etc.); clarificar e
interpretar expressões e ideias; avaliar a aceitabilidade e a credibilidade de
afirmações; analisar, avaliar e produzir explicações; analisar, avaliar e tomar
decisões; concluir correctamente a partir das razões apresentadas; produzir
argumentos claros e precisos.
Módulo I (12 aulas/12 horas) – Compreender e analisar a
estrutura de raciocínios e argumentos.
No fim deste módulo os
alunos deverão conseguir dominar as técnicas mais básicas de PC que lhes
permitirão, com alguma facilidade, compreender o significado dos argumentos,
identificar e analisar a estrutura dos raciocínios, assim como começar a
produzir os seus próprios raciocínios e argumentos de forma mais clara e
precisa.
Módulo II (idem) – Avaliar raciocínios e argumentos.
Neste módulo espera-se
que os alunos já saibam quando estão diante de um raciocínio e que saibam
identificar as diferentes partes de um argumento (Módulo I). Agora iremos
iniciar os alunos na área do Pensamento Crítico propriamente dito, ou seja,
ensinaremos os alunos a avaliar criticamente os raciocínios e argumentos que
têm pela frente.
Módulo III
(ibidem) – Formular argumentos correctos.
Neste
módulo procuraremos pôr em prática os ensinamentos dos dois módulos anteriores.
Os alunos serão incentivados a escrever os seus próprios argumentos sobre os
mais variados temas, a apresentá-los nas aulas e a discuti-los com os seus
colegas.
2) Identificar algumas técnicas e competências
fundamentais para pensar
criticamente.
6) Confrontar os alunos com algumas fraquezas e erros
de raciocínio comuns (ex. não identificar correctamente o tema em
questão; não avaliar correctamente as razões, não identificar a conclusão
principal do argumento; não compreender a importância dos pressupostos do
argumento; avaliar o argumento de uma forma muito geral e intuitiva – do
género, concordo, não concordo – sem saber especificamente quais as partes do
argumento que falham, ou quais as mais fortes, etc.)
7) Entrar em contacto com algumas formas correctas de
pensar criticamente (identificar o tema e a conclusão principal do
argumento, avaliar e apresentar as suas razões, formular argumentos
correctamente, tomar decisões, compreender de que forma as razões de um
argumento se relacionam umas com as outras - de forma independente ou conjunta,
existem conclusões intermédias?); identificar pressupostos; construir mapas de
argumentos de forma a tornar mais concreto um raciocínio que é, por natureza,
abstracto, etc.
8) Treinar o
Pensamento Crítico em argumentos curtos.
9) Enfrentar verdadeiros problemas (argumentos
mais complexos, tomadas de decisão reais, etc.)
Aula 2_ Argumentos – Nesta aula ensinou-se os alunos a identificar
argumentos e aprender a distinguir argumentos de não argumentos. Pediu-se
também aos alunos que identificassem as conclusões dos argumentos.
Exercício:
c) Fumar
faz mal à saúde. Cada cigarro tem 8 miligramas de alcatrão. O fumo dos cigarros
deixa um cheiro horrível e, além, disso os cigarros são caros.
1) Argumento
ou Não
argumento
2) Conclusão: sem conclusão
d) Fumar
faz mal à saúde pois sempre que fumas um cigarro estás a fumar 8 miligramas de
alcatrão entre outras substâncias tóxicas. Além disso os cigarros deixam um
cheiro horrível e são caros. Por isso acho que devias deixar de fumar.
1) Argumento ou
Não
argumento
2) Conclusão: acho
que devias deixar de fumar
Aulas 3 e 4_Razões e
Conclusões – Nesta aula iniciou-se
os alunos na análise da estrutura dos argumentos. Ensinou-se os alunos a
distinguir razões de conclusões e a perceber que existem boas e más razões.
Exercício_1:
Para cada uma das conclusões apresentadas escolhe aquela que
achas que é a melhor
Razão.
Conclusão: Os dadores de sangue deviam ser pagos.
d)
A
recolha de sangue é um processo muito caro.
e)
As
pessoas que dão sangue normalmente fazem-no porque querem ajudar os outros.
f)
Existem
muito poucos dadores de sangue e o pagamento iria incentivar mais pessoas a
darem sangue.
Exercício_2:
Para este exercício pediu-se aos alunos que se juntassem aos pares. Um
dos alunos era o Alfa, o outro o Beta.
a) O Alfa começa por escolher uma conclusão curta e simples na qual acredita. O Alfa tem dois
minutos para pensar numa conclusão e apresentá-la ao seu colega e deve
guardar a(s) sua(s) razão para si.
b) Agora o Beta deve apresentar algumas razões que defendam o
melhor possível a afirmação do Alfa. Tem dois minutos para o
fazer.
Com este exercício
pretendeu-se mostrar aos alunos que pessoas diferentes podem ter pontos de
vista diferentes e apresentar razões diferentes para as mesmas conclusões. Ou
seja, pretendeu-se mostrar que diferentes razões têm diferentes pesos para
diferentes pessoas. Facilitou-se a discussão entre os alunos.
Aula 5_A linguagem do
raciocínio – Nesta aula pretendeu-se
ensinar aos alunos a forma correcta de apresentar as razões e as conclusões num
raciocínio/argumento
Procurou-se demonstrar que o uso das palavras adequadas nos sítios da
frase adequados poderá ajudá-los a:
4)
Compreender melhor a
estrutura de um raciocínio que queremos avaliar
5)
(se necessário)
re-escrever um argumento correctamente.
6)
apresentar correctamente
um raciocínio de forma a que os outros o percebam claramente.
Algumas palavras
indicadoras de razões e de conclusões: “Porque...”; “Como tal”;
“Portanto...”; “Dessa forma...”; “Consequentemente...”; “Daí concluo que...”;
“Sou forçado a admitir que...”; “Temos de aceitar que...”; “Dado que...”; “Se
aceitarmos estas razões temos de concluir que...”
Com o uso destas palavras pretendeu-se também demonstrar aos alunos uma
característica essencial do Pensamento Crítico, a ideia que um Pensador
Crítico quer perceber e ser bem percebido pelos outros, pois só assim pode
discutir claramente as suas ideias.
Foram apresentados dois
exemplos de argumentos (um que recorria às palavras adequadas, outro que não
fazia uso delas) e pediu-se aos alunos que indicassem qual dos argumentos
entendiam mais facilmente.
Exercício:
Comprei o meu bilhete de avião há mais de dois meses. A TAP tem de me
pagar uma indemnização pelos prejuízos que me causou. O hotel que reservei no
Brasil para passar as férias já está pago. Não tenho culpa da greve de pilotos
que me fez perder o avião.
ou
Comprei o meu bilhete há mais de dois meses e já paguei o hotel que
reservei no Brasil para passar as férias. Além disso não tenho culpa da greve
dos pilotos que me fez perder o avião, por todos esses motivos acho que a TAP
deve pagar-me uma indemnização pelos prejuízos que me causou.
Nota: Com este tipo de exercícios pretendeu-se confrontar
os alunos com a necessidade de apresentarmos aquilo que queremos dizer de uma
forma correcta e ordenada, i.e., o menos confusa possível, para que nos
entendam o melhor possível.
Aulas 6 a 8_A Estrutura
dos Argumentos.
Nestas aulas procurou-se
mostrar aos alunos que as razões de um argumento podem apoiar a conclusão de diferentes
maneiras: algumas razões apoiam sozinhas a conclusão (razões independentes)
outras razões precisam do apoio de outras razões para apoiarem a conclusão
(razões conjuntas), outras razões, ainda, funcionam como conclusões
intermédias. Também se iniciou os alunos na técnica dos mapas de argumentos
(argument mapping) – o desenho da estrutura de um argumento.
Exercício:
Faz
o mapa da estrutura dos seguinte argumentos:
a) As pessoas deviam poder fumar em todo o lado. Fumar não é ilegal e,
além disso, milhões de pessoas têm muito prazer em fumar.
.
R1 R2
¯ ¯
¾¾¾¾¾
C
Nota: este é o exemplo do mapa de um argumento com razões
independentes.
b) A
poluição nos nossos rios está a aumentar a cada ano que passa. Quanto mais
poluído for um rio, mais danos são causados aos animais que nele vivem. Como
tal, a menos que se faça algo em relação à poluição dos rios o número de
animais que vivem nos rios irá diminuir drasticamente. Contudo, não existem
planos para diminuir a poluição dos nossos rios. Por isso muitos dos animais
que vivem nos nossos rios irão morrer.
R1 +
R2
¯
CI + R3
¯
C
Nota: este é o exemplo do mapa de um argumento com Razões
Conjuntas e uma Conclusão Intermédia.
Aulas 9 e 10_Introdução
aos pressupostos
Nestas
aulas procurou-se ensinar os alunos a identificar pressupostos (os
elementos invisíveis de um argumento) e a perceber a sua importância enquanto
aquilo em que o autor do argumento tem de acreditar (sem o escrever ou dizer)
para que a conclusão do seu argumento seja possível. Procurou-se mostrar que,
descoberto o pressuposto de um argumento, podemos não concordar com ele e,
nesse caso, temos um bom motivo para não aceitar a conclusão que ele apoia.
Exercícios:
Encontra os pressupostos em
que autor dos seguintes argumentos tem de acreditar para que as suas conclusões
sejam verdadeiras:
1) O cérebro das mulheres é em média mais pequeno que o dos homens,
daí podemos concluir que as mulheres são menos inteligentes que os homens.
[Pressuposto: o tamanho do cérebro de uma pessoa
indica o seu grau de inteligência.]
2) O ladrão deve ter fugido pela escada de incêndio. Já
não está no edifício, mas ninguém o viu sair e todas as portas têm um guarda.
[Pressuposto: vários]
Nota: esta matéria foi mais bem assimilada pelos alunos
mais velhos (13_15 anos) que eram capazes de encontrar/imaginar os pressupostos
de um argumento, a maior parte das vezes, sem ajuda.
Para os alunos mais novos
(10-13 anos) eram dadas pistas com alguns exemplos de pressupostos possíveis e
era-lhes pedido que escolhessem um:
Por Ex:
E)
Há menos mulheres que
homens a tirar cursos superiores.
F)
Alguns homens são mais
inteligentes que algumas mulheres.
G)
Como as mulheres são em
média mais pequenas que os homens é natural que os seus cérebros sejam mais
pequenos.
H)
O tamanho do cérebro de
uma pessoa indica o seu grau de inteligência.
.
Aula 11_Os cinco primeiros passos do Pensador Crítico
Nesta aula resumiu-se a
matéria dada e ensinou-se aos alunos um esquema muito simples a que se chamou
“Os cinco primeiros passos de um Pensador Crítico”.
1 – Encontrar a Conclusão Principal (C) do
argumento.
É muito importante começar por
perguntar o que é que o autor do argumento quer provar. Isso faz com que nos
concentremos apenas no assunto principal e ignoremos aquilo que não é
importante para o argumento.
2 – Quais são as Razões apresentadas?
Depois de encontrares a conclusão
principal do argumento é mais fácil identificares as razões apresentadas em sua
defesa.
3 – Qual é a estrutura do argumento?
Quantas razões tem o argumento?
Estas são apresentadas de forma independente ou conjunta? Existem razões
intermédias?
4 – O argumento depende de alguma pressuposição?
Qual?
Em que é que o autor tem de
acreditar para que a sua conclusão seja verdadeira? Essa pressuposição apoia
uma das razões ou uma conclusão intermédia?
5 – Desenhar o Mapa do Argumento.
Depois de encontrares os
elementos do argumento é altura de tornares visível a sua estrutura e mostrares
como é que eles se relacionam no argumento: (+), (¯), [Press]
Aula 12_Avaliação
Com
o teste de avaliação no final do Módulo I pretendeu-se sobretudo avaliar a
capacidade dos alunos em compreender e analisar a estrutura de raciocínios e argumentos.Para o Clube do Raciocínio
(10-13 anos) usaram-se argumentos com uma estrutura simples e no Curso de
Pensamento Crítico (13-15 anos) um argumento mais extenso e complexo.
h) Resultados obtidos no
fim do Módulo I
De um modo geral os
alunos do Clube do Raciocínio
demonstraram compreender a estrutura básica de um argumento. Com uma ou outra
excepção todos eles identificaram facilmente as razões e a conclusão principal
dos argumentos apresentados. De um modo ainda incipiente (com a excepção de um
aluno de 13 anos que desenhou dois mapas de argumentos correctíssimos)
mostraram compreender que aquilo que dá força a um argumento são as suas razões
e a forma como se relacionam entre si e com a conclusão. Compreender isto é um
primeiro passo para os alunos deixarem de avaliar aquilo que lhes é dito de
forma intuitiva e confusa, i.e., deixarem de olhar para um argumento, uma ideia
ou uma opinião como algo que é aceite ou rejeitado como um todo. Começarem a
olhar para um argumento como algo com uma estrutura mais ou menos sólida é um
primeiro passo para se tornarem bons Pensadores Críticos.
Quanto às alunas do Curso
de Pensamento Crítico, já eram muito boas
alunas e, como não foi feita uma avaliação no início do Curso, é difícil
quantificar os seus progressos. No entanto a forma como as duas analisaram um
texto com mais de mais de 5 mil caracteres, começando por fazer um breve resumo
do texto, identificando a sua Conclusão Principal, analisando as suas razões e
conclusões intermédias, encontrando pressuposições pertinentes, desenhando um
mapa do argumento bastante competente com as relações entre todos estes
elementos do argumento e apresentando de forma criativa a avaliação global
quanto ao que foi dito, a forma como o fizeram, dizia, não foi
certamente aprendido nas aulas do ensino público português, que ambas
frequentam.
É claro que uma lacuna deste curso a remediar é a falta de um teste inicial de aptidões à capacidade dos alunos em pensar criticamente. Ou será esse teste mesmo necessário?
i) Objectivo final do Curso de
Pensamento Crítico
No fim dos três módulos
deste Curso de Pensamento Crítico espera-se que os alunos produzam melhores
raciocínios, apoiados em crenças mais credíveis e razões mais bem
fundamentadas. Consequentemente, que tomem decisões mais acertadas que aqueles
que não desenvolveram tão bem as competências e técnicas de
Pensamento Crítico.
As competências adquiridas
num curso de PC são objectivamente valiosas e transmissíveis. Por outras
palavras, não são para ser usadas apenas nas aulas de PC, mas ao longo da vida.
Por exemplo, alguém que esteja apto para identificar e avaliar criticamente as
provas que lhe são apresentadas num argumento terá maiores probabilidades de
vir a possuir crenças mais seguras e razoáveis do que alguém ingénuo e
acrítico. Não é difícil perceber que quem possui crenças mais razoáveis e mais
sólidas acerca de seja o que for será menos vezes induzido em erro e tomará
melhores decisões que aqueles que possuem crenças infundadas e irracionais.
Tomás Magalhães Carneiro