Curso de Pensamento Crítico Para Jovens

- aprender a pensar -

 

 

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I) O que é o Pensamento Crítico – algumas definições históricas

 

 

 

II) Apresentação do Curso

 

a) Contextualização

 

b) Pressupostos do Pensamento Crítico

 

c) Estratégias e Métodos do Curso

 

d) Competências e Técnicas do Pensador Crítico

 

e) Objectivos gerais de cada um dos módulos do Curso

 

f) Objectivos específicos do Módulo I

 

g) Resumo das 12 Aulas do Curso

 

h) Resultados obtidos no fim do Módulo I

 

i) Objectivo final do Curso de Pensamento Crítico

 

 

 

 

 

 

 

I) O que é o Pensamento Crítico – algumas definições históricas

 

John Dewey – O Pensamento Crítico é o estudo activo, persistente e cuidado de uma crença ou de uma suposta forma de conhecimento através da análise dos fundamentos que a apoiam e das conclusões para que apontam.

 

Robert Ennis – O Pensamento Crítico é um pensamento razoável e reflectido, preocupado em ajudar-nos a decidir em que acreditar ou o que fazer.

 

 

Richard Paul – O Pensamento Crítico é uma forma de pensamento – acerca de qualquer assunto ou problema – no qual o pensador melhora a qualidade dos seus raciocínios recorrendo a técnicas que lhe permitem captar as estruturas inerentes ao pensamento e impondo-lhes uma exigência intelectual elevada.

 

Michael Scriven – O Pensamento Crítico é uma interpretação e avaliação activa e competente de observações, comunicações, informações e argumentações.

 

 

II) Apresentação do Curso

 

a) Contextualização

 

O Pensamento Crítico é uma disciplina que pretende desenvolver a capacidade para compreender, avaliar e apresentar raciocínios e argumentos, ou seja, pretende ensinar os alunos a pensar por si próprios.

 

Relevância do Pensamento Crítico para qualquer área do conhecimento

Filosofia e Pensamento Crítico – Pensamento Crítico não é filosofia. Não é possível fazer filosofia sem pensar criticamente, mas é  possível pensar criticamente sem fazer filosofia.

Aprendizagem directa (e não transversal ou indirecta) das técnica de Pensamento Crítico.

Saber pensar é fundamental – todos sabemos pensar, mas nem todos o fazemos da melhor forma.

 

b) Pressupostos do Pensamento Crítico

 

Este curso tem como objectivo principal ensinar técnicas de Pensamento Crítico: a habilidade para interpretar, analisar, avaliar e criar ideias, raciocínios e argumentos.

Procura-se ensinar essas técnicas de forma directa e não de forma indirecta como normalmente se procura fazer nas escolas através das diferentes disciplinas leccionadas.

Estas técnicas podem ser usadas com sucesso em qualquer área dos estudos e da vida uma vez que pensar correctamente, i.e., analisar as nossas fontes, razões e argumentos de forma clara e precisa são, objectivamente, mais valias.

Um dos pressupostos do pensamento crítico é, exactamente, que este é uma competência básica como o são a leitura e a escrita e que, como estes, deve ser ensinado de forma directa. Não basta, como normalmente se faz, confiar que os alunos aprendam a pensar de forma crítica  como que por osmose, ou seja indirectamente (por ex. nas aulas de história, física ou português). A aprendizagem directa das técnicas de analise e avaliação de argumentos e a prática dessas técnicas em argumentos concretos é a forma mais eficaz (e divertida) de se aprender a pensar correctamente.

Outro pressuposto do Pensamento Crítico é que ninguém deve procurar pensar pelo aluno e que só pensando por si mesmo é que este pode chegar a desenvolver boas formas de pensamento. É o aluno que deve procurar por si mesmo melhorar activamente as formas como raciocina e se expressa, cabendo ao professor um papel sobretudo orientador.

 

c) Estratégias e Métodos do Curso

 

Os alunos foram, desde o início, incentivados a pensar sobre temas e problemas concretos, a desenvolver raciocínios e a criar argumentos próprios.

Foram aconselhados a ter consigo um “Caderno de Pensamento Crítico” que lhes permite auto-avaliarem-se ao longo do curso facilitando assim a identificação das dificuldades e obstáculos que vão surgindo, assim como a assimilação das técnicas adequadas para os superar.

 

Mudar as nossas formas erradas de raciocinar implica perseverança, prática e “feedback”. Os argumentos dos alunos foram constantemente avaliados quer pelo professor quer pelos seus colegas de forma a, em grupo, encontrarem os erros nos seus raciocínios e a corrigir e melhorar os seus argumentos.

 

A determinada altura foi fornecido aos alunos um esquema de raciocínio “Os Cinco Primeiros Passos do Pensador Crítico , i.e., um conjunto de passos que os alunos devem obrigatoriamente dar ao analisarem criticamente um argumento ou raciocínio. Por ex: qual a conclusão principal deste argumento?; quais as razões apresentadas?; essas razões são sólidas?; o que é pressuposto pelo argumento?; etc.

 

Durante o curso  incentiva-se a discussão e a formulação de argumentos sobre temas actuais, retirados de fontes acessíveis aos alunos: jornais, revistas, telejornais, artigos de opinião, editoriais, mitos urbanos, opiniões do senso comum, etc. Numa fase mais adiantada procurar-se-ão temas de discussão em áreas como a história da filosofia (área privilegiada do pensamento crítico), assim como em matérias que os alunos encontrem nas suas disciplinas escolares.  

 

As aulas devem ter um número reduzido de alunos interessados e motivados (5 ou 6 é o ideal).

Nota: em minha opinião nem todos os alunos destas idades (10 aos 15 anos) estão (ainda) preparados para frequentar um curso de Pensamento Crítico. É necessária uma certa maturidade e uma motivação pessoal extra para frequentar um curso extra- curricular sem resultados imediatos (como notas no final de um período ou ano lectivos e eventual reprovação).

Os benefícios deste curso são no entanto bem concretos e são realmente sentidos pelo aluno no médio prazo. No fim do primeiro módulo (aqui apresentado) os alunos demonstraram ter adquirido uma série de competências e aprendido a dominar uma série de técnicas que lhes permitem, com alguma facilidade, identificar um argumento e distingui-los de um não argumento (sem conclusão não há argumento), analisar argumentos e, ainda que de uma forma incipiente, avaliar as razões e as conclusões desses argumentos. Espera-se que no fim dos três módulos do Curso os alunos tenham também melhorado significativamente a forma como formulam os seus próprios raciocínios e argumentos, fazendo-o de forma clara e precisa.

 

d) Competências e Técnicas do Pensador Crítico

 

Pensar criticamente implica a posse de algumas competências e, para tal, o domínio de algumas técnicas que devem ser aprendidas e praticadas (como as técnica de qualquer desporto, arte ou profissão)

Entre as competências que um Pensador Crítico deve possuir encontram-se as seguintes:

 

reconhecer os problemas; encontrar os meios adequados para lidar com esses problemas; reunir informação pertinente; reconhecer pressuposições e valores não explícitos; compreender e usar a linguagem com clareza e exactidão; interpretar informações; avaliar provas e afirmações; reconhecer a existência de relações lógicas entre proposições; retirar conclusões e generalizações seguras e fidedignas; testar essas mesmas conclusões e generalizações; compreender avaliar e modificar (se necessário) o seu padrão de crenças; avaliar e ajuizar de forma segura e correcta problemas e questões específicas do quotidiano.

 

Para desenvolver estas competências individuais dos alunos o curso procura ensinar e pôr em prática as seguintes técnicas:

 

Identificar e avaliar os diferentes elementos presentes num raciocínio/argumento (razões, conclusões, pressupostos, valores, informações, explicações, etc.); clarificar e interpretar expressões e ideias; avaliar a aceitabilidade e a credibilidade de afirmações; analisar, avaliar e produzir explicações; analisar, avaliar e tomar decisões; concluir correctamente a partir das razões apresentadas; produzir argumentos claros e precisos.         

 

e) Objectivos gerais de cada um dos módulos do Curso de PC

Módulo I (12 aulas/12 horas) – Compreender e analisar a estrutura de raciocínios e argumentos.

No fim deste módulo os alunos deverão conseguir dominar as técnicas mais básicas de PC que lhes permitirão, com alguma facilidade, compreender o significado dos argumentos, identificar e analisar a estrutura dos raciocínios, assim como começar a produzir os seus próprios raciocínios e argumentos de forma mais clara e precisa.

 

Módulo II (idem) – Avaliar raciocínios e argumentos.

Neste módulo espera-se que os alunos já saibam quando estão diante de um raciocínio e que saibam identificar as diferentes partes de um argumento (Módulo I). Agora iremos iniciar os alunos na área do Pensamento Crítico propriamente dito, ou seja, ensinaremos os alunos a avaliar criticamente os raciocínios e argumentos que têm pela frente.

 

Módulo III (ibidem) – Formular argumentos correctos.

Neste módulo procuraremos pôr em prática os ensinamentos dos dois módulos anteriores. Os alunos serão incentivados a escrever os seus próprios argumentos sobre os mais variados temas, a apresentá-los nas aulas e a discuti-los com os seus colegas.

 

f) Objectivos específicos do Módulo I

 

1)     Identificar algumas técnicas e competências fundamentais para pensar 

      criticamente.

2)     Confrontar os alunos com algumas fraquezas e erros de raciocínio comuns (ex. não identificar correctamente o tema em questão; não avaliar correctamente as razões, não identificar a conclusão principal do argumento; não compreender a importância dos pressupostos do argumento; avaliar o argumento de uma forma muito geral e intuitiva – do género, concordo, não concordo – sem saber especificamente quais as partes do argumento que falham, ou quais as mais fortes, etc.)

3)     Entrar em contacto com algumas formas correctas de pensar criticamente (identificar o tema e a conclusão principal do argumento, avaliar e apresentar as suas razões, formular argumentos correctamente, tomar decisões, compreender de que forma as razões de um argumento se relacionam umas com as outras - de forma independente ou conjunta, existem conclusões intermédias?); identificar pressupostos; construir mapas de argumentos de forma a tornar mais concreto um raciocínio que é, por natureza, abstracto, etc.

4)     Treinar o Pensamento Crítico em argumentos curtos.

5)     Enfrentar verdadeiros problemas (argumentos mais complexos, tomadas de decisão reais, etc.)

 

g) Resumo das 12 Aulas do Curso – exemplos de alguns exercícios

 

Aula 2_ Argumentos – Nesta aula ensinou-se os alunos a identificar argumentos e aprender a distinguir argumentos de não argumentos. Pediu-se também aos alunos que identificassem as conclusões dos argumentos.

 

Exercício:

 

a)     Fumar faz mal à saúde. Cada cigarro tem 8 miligramas de alcatrão. O fumo dos cigarros deixa um cheiro horrível e, além, disso os cigarros são caros.

1)     Argumento ou Não argumento

2)     Conclusão: sem conclusão

 

b)     Fumar faz mal à saúde pois sempre que fumas um cigarro estás a fumar 8 miligramas de alcatrão entre outras substâncias tóxicas. Além disso os cigarros deixam um cheiro horrível e são caros. Por isso acho que devias deixar de fumar.

1)     Argumento ou Não argumento

2)     Conclusão: acho que devias deixar de fumar

 

Aulas 3 e 4_Razões e Conclusões – Nesta aula iniciou-se os alunos na análise da estrutura dos argumentos. Ensinou-se os alunos a distinguir razões de conclusões e a perceber que existem boas e más razões.

 

Exercício_1:

Para cada uma das conclusões apresentadas escolhe aquela que achas que é a melhor

Razão.

 

Conclusão: Os dadores de sangue deviam ser pagos.

 

a)     A recolha de sangue é um processo muito caro.

b)     As pessoas que dão sangue normalmente fazem-no porque querem ajudar os outros.

c)      Existem muito poucos dadores de sangue e o pagamento iria incentivar mais pessoas a darem sangue.

 

 

Exercício_2:

Para este exercício pediu-se aos alunos que se juntassem aos pares. Um dos alunos era o Alfa, o outro o Beta.

 

a) O Alfa começa por escolher uma conclusão curta e simples  na qual acredita. O Alfa tem dois minutos para pensar numa conclusão e apresentá-la ao seu colega e deve guardar a(s) sua(s) razão para si.

 

b) Agora o Beta deve apresentar algumas razões que defendam o melhor possível a afirmação do Alfa. Tem dois minutos para o fazer.

 

Com este exercício pretendeu-se mostrar aos alunos que pessoas diferentes podem ter pontos de vista diferentes e apresentar razões diferentes para as mesmas conclusões. Ou seja, pretendeu-se mostrar que diferentes razões têm diferentes pesos para diferentes pessoas. Facilitou-se a discussão entre os alunos.

 

Aula 5_A linguagem do raciocínio – Nesta aula pretendeu-se ensinar aos alunos a forma correcta de apresentar as razões e as conclusões num raciocínio/argumento

Procurou-se demonstrar que o uso das palavras adequadas nos sítios da frase adequados poderá ajudá-los a:

 

1)     Compreender melhor a estrutura de um raciocínio que queremos avaliar

2)     (se necessário) re-escrever um argumento correctamente.

3)     apresentar correctamente um raciocínio de forma a que os outros o percebam claramente.

 

Algumas palavras indicadoras de razões e de conclusões: “Porque...”; “Como tal”; “Portanto...”; “Dessa forma...”; “Consequentemente...”; “Daí concluo que...”; “Sou forçado a admitir que...”; “Temos de aceitar que...”; “Dado que...”; “Se aceitarmos estas razões temos de concluir que...”

Com o uso destas palavras pretendeu-se também demonstrar aos alunos uma característica essencial do Pensamento Crítico, a ideia que um Pensador Crítico quer perceber e ser bem percebido pelos outros, pois só assim pode discutir claramente as suas ideias.

 

Foram apresentados dois exemplos de argumentos (um que recorria às palavras adequadas, outro que não fazia uso delas) e pediu-se aos alunos que indicassem qual dos argumentos entendiam mais facilmente.

 

Exercício:

 

Comprei o meu bilhete de avião há mais de dois meses. A TAP tem de me pagar uma indemnização pelos prejuízos que me causou. O hotel que reservei no Brasil para passar as férias já está pago. Não tenho culpa da greve de pilotos que me fez perder o avião.

ou

 

Comprei o meu bilhete há mais de dois meses e já paguei o hotel que reservei no Brasil para passar as férias. Além disso não tenho culpa da greve dos pilotos que me fez perder o avião, por todos esses motivos acho que a TAP deve pagar-me uma indemnização pelos prejuízos que me causou.

 

Nota: Com este tipo de exercícios pretendeu-se confrontar os alunos com a necessidade de apresentarmos aquilo que queremos dizer de uma forma correcta e ordenada, i.e., o menos confusa possível, para que nos entendam o melhor possível.

 

Aulas 6 a 8_A Estrutura dos Argumentos.

Nestas aulas procurou-se mostrar aos alunos que as razões de um argumento podem apoiar a conclusão de diferentes maneiras: algumas razões apoiam sozinhas a conclusão (razões independentes) outras razões precisam do apoio de outras razões para apoiarem a conclusão (razões conjuntas), outras razões, ainda, funcionam como conclusões intermédias. Também se iniciou os alunos na técnica dos mapas de argumentos (argument mapping) – o desenho da estrutura de um argumento.

 

Exercício:

 

Faz o mapa da estrutura dos seguinte argumentos:

 

a) As pessoas deviam poder fumar em todo o lado. Fumar não é ilegal e, além disso, milhões de pessoas têm muito prazer em fumar.

  .

 

                                                                 R1      R2     

                                                                  ¯     ¯   

                                                               ¾¾¾¾¾

                                                                      C

Nota: este é o exemplo do mapa de um argumento com razões independentes.

 

 

 

 

b) A poluição nos nossos rios está a aumentar a cada ano que passa. Quanto mais poluído for um rio, mais danos são causados aos animais que nele vivem. Como tal, a menos que se faça algo em relação à poluição dos rios o número de animais que vivem nos rios irá diminuir drasticamente. Contudo, não existem planos para diminuir a poluição dos nossos rios. Por isso muitos dos animais que vivem nos nossos rios irão morrer.

 

                                                               R1  +   R2     

                                                                     ¯  

                                                                    CI + R3

                                                                      ¯ 

                                                                      C

Nota: este é o exemplo do mapa de um argumento com Razões Conjuntas e uma Conclusão Intermédia.

 

Aulas 9 e 10_Introdução aos pressupostos

Nestas aulas procurou-se ensinar os alunos a identificar pressupostos (os elementos invisíveis de um argumento) e a perceber a sua importância enquanto aquilo em que o autor do argumento tem de acreditar (sem o escrever ou dizer) para que a conclusão do seu argumento seja possível. Procurou-se mostrar que, descoberto o pressuposto de um argumento, podemos não concordar com ele e, nesse caso, temos um bom motivo para não aceitar a conclusão que ele apoia.

 

Exercícios:

 

Encontra os pressupostos em que autor dos seguintes argumentos tem de acreditar para que as suas conclusões sejam verdadeiras:

 

1) O cérebro das mulheres é em média mais pequeno que o dos homens, daí podemos concluir que as mulheres são menos inteligentes que os homens.

 

[Pressuposto: o tamanho do cérebro de uma pessoa indica o seu grau de inteligência.]

 

2) O ladrão deve ter fugido pela escada de incêndio. Já não está no edifício, mas ninguém o viu sair e todas as portas têm um guarda.

 

[Pressuposto: vários]  

 

Nota: esta matéria foi mais bem assimilada pelos alunos mais velhos (13_15 anos) que eram capazes de encontrar/imaginar os pressupostos de um argumento, a maior parte das vezes, sem ajuda.

Para os alunos mais novos (10-13 anos) eram dadas pistas com alguns exemplos de pressupostos possíveis e era-lhes pedido que escolhessem um:

 

Por Ex:

A)    Há menos mulheres que homens a tirar cursos superiores.

B)    Alguns homens são mais inteligentes que algumas mulheres.

C)    Como as mulheres são em média mais pequenas que os homens é natural que os seus cérebros sejam mais pequenos.

D)    O tamanho do cérebro de uma pessoa indica o seu grau de inteligência.

.

 

 

Aula 11_Os cinco primeiros passos do Pensador Crítico

 

Nesta aula resumiu-se a matéria dada e ensinou-se aos alunos um esquema muito simples a que se chamou “Os cinco primeiros passos de um Pensador Crítico”.

 

1 – Encontrar a Conclusão Principal (C) do argumento.

É muito importante começar por perguntar o que é que o autor do argumento quer provar. Isso faz com que nos concentremos apenas no assunto principal e ignoremos aquilo que não é importante para o argumento.

 

2 – Quais são as Razões apresentadas?

Depois de encontrares a conclusão principal do argumento é mais fácil identificares as razões apresentadas em sua defesa. 

 

3 – Qual é a estrutura do argumento?

Quantas razões tem o argumento? Estas são apresentadas de forma independente ou conjunta? Existem razões intermédias?

 

4 – O argumento depende de alguma pressuposição? Qual?

Em que é que o autor tem de acreditar para que a sua conclusão seja verdadeira? Essa pressuposição apoia uma das razões ou uma conclusão intermédia?

 

5 – Desenhar o Mapa do Argumento.

Depois de encontrares os elementos do argumento é altura de tornares visível a sua estrutura e mostrares como é que eles se relacionam no argumento: (+), (¯), [Press]

 

Aula 12_Avaliação

 

Com o teste de avaliação no final do Módulo I pretendeu-se sobretudo avaliar a capacidade dos alunos em compreender e analisar a estrutura de raciocínios e argumentos.Para o Clube do Raciocínio (10-13 anos) usaram-se argumentos com uma estrutura simples e no Curso de Pensamento Crítico (13-15 anos) um argumento mais extenso e complexo.

 

h) Resultados obtidos no fim do Módulo I

 

De um modo geral os alunos do Clube do Raciocínio demonstraram compreender a estrutura básica de um argumento. Com uma ou outra excepção todos eles identificaram facilmente as razões e a conclusão principal dos argumentos apresentados. De um modo ainda incipiente (com a excepção de um aluno de 13 anos que desenhou dois mapas de argumentos correctíssimos) mostraram compreender que aquilo que dá força a um argumento são as suas razões e a forma como se relacionam entre si e com a conclusão. Compreender isto é um primeiro passo para os alunos deixarem de avaliar aquilo que lhes é dito de forma intuitiva e confusa, i.e., deixarem de olhar para um argumento, uma ideia ou uma opinião como algo que é aceite ou rejeitado como um todo. Começarem a olhar para um argumento como algo com uma estrutura mais ou menos sólida é um primeiro passo para se tornarem bons Pensadores Críticos.

 

 

 

 

 

 

Quanto às alunas do Curso de Pensamento Crítico, já eram muito boas alunas e, como não foi feita uma avaliação no início do Curso, é difícil quantificar os seus progressos. No entanto a forma como as duas analisaram um texto com mais de mais de 5 mil caracteres, começando por fazer um breve resumo do texto, identificando a sua Conclusão Principal, analisando as suas razões e conclusões intermédias, encontrando pressuposições pertinentes, desenhando um mapa do argumento bastante competente com as relações entre todos estes elementos do argumento e apresentando de forma criativa a avaliação global quanto ao que foi dito, a forma como o fizeram, dizia, não foi certamente aprendido nas aulas do ensino público português, que ambas frequentam.

 

É claro que uma lacuna deste curso a remediar é a falta de um teste inicial de aptidões à capacidade dos alunos em pensar criticamente. Ou será esse teste mesmo necessário? 

 

 

i) Objectivo final do Curso de Pensamento Crítico

 

No fim dos três módulos deste Curso de Pensamento Crítico espera-se que os alunos produzam melhores raciocínios, apoiados em crenças mais credíveis e razões mais bem fundamentadas. Consequentemente, que tomem decisões mais acertadas que aqueles que não desenvolveram tão bem as competências e técnicas de Pensamento Crítico.

As competências adquiridas num curso de PC são objectivamente valiosas e transmissíveis. Por outras palavras, não são para ser usadas apenas nas aulas de PC, mas ao longo da vida. Por exemplo, alguém que esteja apto para identificar e avaliar criticamente as provas que lhe são apresentadas num argumento terá maiores probabilidades de vir a possuir crenças mais seguras e razoáveis do que alguém ingénuo e acrítico. Não é difícil perceber que quem possui crenças mais razoáveis e mais sólidas acerca de seja o que for será menos vezes induzido em erro e tomará melhores decisões que aqueles que possuem crenças infundadas e irracionais.

 

 

b) Pressupostos do Pensamento Crítico

 

Este curso tem como objectivo principal ensinar técnicas de Pensamento Crítico: a habilidade para interpretar, analisar, avaliar e criar ideias, raciocínios e argumentos.

Procura-se ensinar essas técnicas de forma directa e não de forma indirecta como normalmente se procura fazer nas escolas através das diferentes disciplinas leccionadas.

Estas técnicas podem ser usadas com sucesso em qualquer área dos estudos e da vida uma vez que pensar correctamente, i.e., analisar as nossas fontes, razões e argumentos de forma clara e precisa são, objectivamente, mais valias.

Um dos pressupostos do pensamento crítico é, exactamente, que este é uma competência básica como o são a leitura e a escrita e que, como estes, deve ser ensinado de forma directa. Não basta, como normalmente se faz, confiar que os alunos aprendam a pensar de forma crítica  como que por osmose, ou seja indirectamente (por ex. nas aulas de história, física ou português). A aprendizagem directa das técnicas de analise e avaliação de argumentos e a prática dessas técnicas em argumentos concretos é a forma mais eficaz (e divertida) de se aprender a pensar correctamente.

Outro pressuposto do Pensamento Crítico é que ninguém deve procurar pensar pelo aluno e que só pensando por si mesmo é que este pode chegar a desenvolver boas formas de pensamento. É o aluno que deve procurar por si mesmo melhorar activamente as formas como raciocina e se expressa, cabendo ao professor um papel sobretudo orientador.

 

c) Estratégias e Métodos do Curso

 

Os alunos foram, desde o início, incentivados a pensar sobre temas e problemas concretos, a desenvolver raciocínios e a criar argumentos próprios.

Foram aconselhados a ter consigo um “Caderno de Pensamento Crítico” que lhes permite auto-avaliarem-se ao longo do curso facilitando assim a identificação das dificuldades e obstáculos que vão surgindo, assim como a assimilação das técnicas adequadas para os superar.

 

Mudar as nossas formas erradas de raciocinar implica perseverança, prática e “feedback”. Os argumentos dos alunos foram constantemente avaliados quer pelo professor quer pelos seus colegas de forma a, em grupo, encontrarem os erros nos seus raciocínios e a corrigir e melhorar os seus argumentos.

 

A determinada altura foi fornecido aos alunos um esquema de raciocínio “Os Cinco Primeiros Passos do Pensador Crítico , i.e., um conjunto de passos que os alunos devem obrigatoriamente dar ao analisarem criticamente um argumento ou raciocínio. Por ex: qual a conclusão principal deste argumento?; quais as razões apresentadas?; essas razões são sólidas?; o que é pressuposto pelo argumento?; etc.

 

Durante o curso  incentiva-se a discussão e a formulação de argumentos sobre temas actuais, retirados de fontes acessíveis aos alunos: jornais, revistas, telejornais, artigos de opinião, editoriais, mitos urbanos, opiniões do senso comum, etc. Numa fase mais adiantada procurar-se-ão temas de discussão em áreas como a história da filosofia (área privilegiada do pensamento crítico), assim como em matérias que os alunos encontrem nas suas disciplinas escolares.  

 

As aulas devem ter um número reduzido de alunos interessados e motivados (5 ou 6 é o ideal).

Nota: em minha opinião nem todos os alunos destas idades (10 aos 15 anos) estão (ainda) preparados para frequentar um curso de Pensamento Crítico. É necessária uma certa maturidade e uma motivação pessoal extra para frequentar um curso extra- curricular sem resultados imediatos (como notas no final de um período ou ano lectivos e eventual reprovação).

Os benefícios deste curso são no entanto bem concretos e são realmente sentidos pelo aluno no médio prazo. No fim do primeiro módulo (aqui apresentado) os alunos demonstraram ter adquirido uma série de competências e aprendido a dominar uma série de técnicas que lhes permitem, com alguma facilidade, identificar um argumento e distingui-los de um não argumento (sem conclusão não há argumento), analisar argumentos e, ainda que de uma forma incipiente, avaliar as razões e as conclusões desses argumentos. Espera-se que no fim dos três módulos do Curso os alunos tenham também melhorado significativamente a forma como formulam os seus próprios raciocínios e argumentos, fazendo-o de forma clara e precisa.

 

d) Competências e Técnicas do Pensador Crítico

 

Pensar criticamente implica a posse de algumas competências e, para tal, o domínio de algumas técnicas que devem ser aprendidas e praticadas (como as técnica de qualquer desporto, arte ou profissão)

Entre as competências que um Pensador Crítico deve possuir encontram-se as seguintes:

 

reconhecer os problemas; encontrar os meios adequados para lidar com esses problemas; reunir informação pertinente; reconhecer pressuposições e valores não explícitos; compreender e usar a linguagem com clareza e exactidão; interpretar informações; avaliar provas e afirmações; reconhecer a existência de relações lógicas entre proposições; retirar conclusões e generalizações seguras e fidedignas; testar essas mesmas conclusões e generalizações; compreender avaliar e modificar (se necessário) o seu padrão de crenças; avaliar e ajuizar de forma segura e correcta problemas e questões específicas do quotidiano.

 

Para desenvolver estas competências individuais dos alunos o curso procura ensinar e pôr em prática as seguintes técnicas:

 

Identificar e avaliar os diferentes elementos presentes num raciocínio/argumento (razões, conclusões, pressupostos, valores, informações, explicações, etc.); clarificar e interpretar expressões e ideias; avaliar a aceitabilidade e a credibilidade de afirmações; analisar, avaliar e produzir explicações; analisar, avaliar e tomar decisões; concluir correctamente a partir das razões apresentadas; produzir argumentos claros e precisos.         

 

e) Objectivos gerais de cada um dos módulos do Curso de PC

Módulo I (12 aulas/12 horas) – Compreender e analisar a estrutura de raciocínios e argumentos.

No fim deste módulo os alunos deverão conseguir dominar as técnicas mais básicas de PC que lhes permitirão, com alguma facilidade, compreender o significado dos argumentos, identificar e analisar a estrutura dos raciocínios, assim como começar a produzir os seus próprios raciocínios e argumentos de forma mais clara e precisa.

 

Módulo II (idem) – Avaliar raciocínios e argumentos.

Neste módulo espera-se que os alunos já saibam quando estão diante de um raciocínio e que saibam identificar as diferentes partes de um argumento (Módulo I). Agora iremos iniciar os alunos na área do Pensamento Crítico propriamente dito, ou seja, ensinaremos os alunos a avaliar criticamente os raciocínios e argumentos que têm pela frente.

 

Módulo III (ibidem) – Formular argumentos correctos.

Neste módulo procuraremos pôr em prática os ensinamentos dos dois módulos anteriores. Os alunos serão incentivados a escrever os seus próprios argumentos sobre os mais variados temas, a apresentá-los nas aulas e a discuti-los com os seus colegas.

 

f) Objectivos específicos do Módulo I

 

2)     Identificar algumas técnicas e competências fundamentais para pensar 

      criticamente.

6)     Confrontar os alunos com algumas fraquezas e erros de raciocínio comuns (ex. não identificar correctamente o tema em questão; não avaliar correctamente as razões, não identificar a conclusão principal do argumento; não compreender a importância dos pressupostos do argumento; avaliar o argumento de uma forma muito geral e intuitiva – do género, concordo, não concordo – sem saber especificamente quais as partes do argumento que falham, ou quais as mais fortes, etc.)

7)     Entrar em contacto com algumas formas correctas de pensar criticamente (identificar o tema e a conclusão principal do argumento, avaliar e apresentar as suas razões, formular argumentos correctamente, tomar decisões, compreender de que forma as razões de um argumento se relacionam umas com as outras - de forma independente ou conjunta, existem conclusões intermédias?); identificar pressupostos; construir mapas de argumentos de forma a tornar mais concreto um raciocínio que é, por natureza, abstracto, etc.

8)     Treinar o Pensamento Crítico em argumentos curtos.

9)     Enfrentar verdadeiros problemas (argumentos mais complexos, tomadas de decisão reais, etc.)

 

g) Resumo das 12 Aulas do Curso – exemplos de alguns exercícios

 

Aula 2_ Argumentos – Nesta aula ensinou-se os alunos a identificar argumentos e aprender a distinguir argumentos de não argumentos. Pediu-se também aos alunos que identificassem as conclusões dos argumentos.

 

Exercício:

 

c)      Fumar faz mal à saúde. Cada cigarro tem 8 miligramas de alcatrão. O fumo dos cigarros deixa um cheiro horrível e, além, disso os cigarros são caros.

1)     Argumento ou Não argumento

2)     Conclusão: sem conclusão

 

d)     Fumar faz mal à saúde pois sempre que fumas um cigarro estás a fumar 8 miligramas de alcatrão entre outras substâncias tóxicas. Além disso os cigarros deixam um cheiro horrível e são caros. Por isso acho que devias deixar de fumar.

1)     Argumento ou Não argumento

2)     Conclusão: acho que devias deixar de fumar

 

Aulas 3 e 4_Razões e Conclusões – Nesta aula iniciou-se os alunos na análise da estrutura dos argumentos. Ensinou-se os alunos a distinguir razões de conclusões e a perceber que existem boas e más razões.

 

Exercício_1:

Para cada uma das conclusões apresentadas escolhe aquela que achas que é a melhor

Razão.

 

Conclusão: Os dadores de sangue deviam ser pagos.

 

d)     A recolha de sangue é um processo muito caro.

e)     As pessoas que dão sangue normalmente fazem-no porque querem ajudar os outros.

f)        Existem muito poucos dadores de sangue e o pagamento iria incentivar mais pessoas a darem sangue.

 

 

Exercício_2:

Para este exercício pediu-se aos alunos que se juntassem aos pares. Um dos alunos era o Alfa, o outro o Beta.

 

a) O Alfa começa por escolher uma conclusão curta e simples  na qual acredita. O Alfa tem dois minutos para pensar numa conclusão e apresentá-la ao seu colega e deve guardar a(s) sua(s) razão para si.

 

b) Agora o Beta deve apresentar algumas razões que defendam o melhor possível a afirmação do Alfa. Tem dois minutos para o fazer.

 

Com este exercício pretendeu-se mostrar aos alunos que pessoas diferentes podem ter pontos de vista diferentes e apresentar razões diferentes para as mesmas conclusões. Ou seja, pretendeu-se mostrar que diferentes razões têm diferentes pesos para diferentes pessoas. Facilitou-se a discussão entre os alunos.

 

Aula 5_A linguagem do raciocínio – Nesta aula pretendeu-se ensinar aos alunos a forma correcta de apresentar as razões e as conclusões num raciocínio/argumento

Procurou-se demonstrar que o uso das palavras adequadas nos sítios da frase adequados poderá ajudá-los a:

 

4)     Compreender melhor a estrutura de um raciocínio que queremos avaliar

5)     (se necessário) re-escrever um argumento correctamente.

6)     apresentar correctamente um raciocínio de forma a que os outros o percebam claramente.

 

Algumas palavras indicadoras de razões e de conclusões: “Porque...”; “Como tal”; “Portanto...”; “Dessa forma...”; “Consequentemente...”; “Daí concluo que...”; “Sou forçado a admitir que...”; “Temos de aceitar que...”; “Dado que...”; “Se aceitarmos estas razões temos de concluir que...”

Com o uso destas palavras pretendeu-se também demonstrar aos alunos uma característica essencial do Pensamento Crítico, a ideia que um Pensador Crítico quer perceber e ser bem percebido pelos outros, pois só assim pode discutir claramente as suas ideias.

 

Foram apresentados dois exemplos de argumentos (um que recorria às palavras adequadas, outro que não fazia uso delas) e pediu-se aos alunos que indicassem qual dos argumentos entendiam mais facilmente.

 

Exercício:

 

Comprei o meu bilhete de avião há mais de dois meses. A TAP tem de me pagar uma indemnização pelos prejuízos que me causou. O hotel que reservei no Brasil para passar as férias já está pago. Não tenho culpa da greve de pilotos que me fez perder o avião.

ou

 

Comprei o meu bilhete há mais de dois meses e já paguei o hotel que reservei no Brasil para passar as férias. Além disso não tenho culpa da greve dos pilotos que me fez perder o avião, por todos esses motivos acho que a TAP deve pagar-me uma indemnização pelos prejuízos que me causou.

 

Nota: Com este tipo de exercícios pretendeu-se confrontar os alunos com a necessidade de apresentarmos aquilo que queremos dizer de uma forma correcta e ordenada, i.e., o menos confusa possível, para que nos entendam o melhor possível.

 

Aulas 6 a 8_A Estrutura dos Argumentos.

Nestas aulas procurou-se mostrar aos alunos que as razões de um argumento podem apoiar a conclusão de diferentes maneiras: algumas razões apoiam sozinhas a conclusão (razões independentes) outras razões precisam do apoio de outras razões para apoiarem a conclusão (razões conjuntas), outras razões, ainda, funcionam como conclusões intermédias. Também se iniciou os alunos na técnica dos mapas de argumentos (argument mapping) – o desenho da estrutura de um argumento.

 

Exercício:

 

Faz o mapa da estrutura dos seguinte argumentos:

 

a) As pessoas deviam poder fumar em todo o lado. Fumar não é ilegal e, além disso, milhões de pessoas têm muito prazer em fumar.

  .

 

                                                                 R1      R2     

                                                                  ¯     ¯   

                                                               ¾¾¾¾¾

                                                                      C

Nota: este é o exemplo do mapa de um argumento com razões independentes.

 

 

b) A poluição nos nossos rios está a aumentar a cada ano que passa. Quanto mais poluído for um rio, mais danos são causados aos animais que nele vivem. Como tal, a menos que se faça algo em relação à poluição dos rios o número de animais que vivem nos rios irá diminuir drasticamente. Contudo, não existem planos para diminuir a poluição dos nossos rios. Por isso muitos dos animais que vivem nos nossos rios irão morrer.

 

                                                               R1  +   R2     

                                                                     ¯  

                                                                    CI + R3

                                                                      ¯ 

                                                                      C

Nota: este é o exemplo do mapa de um argumento com Razões Conjuntas e uma Conclusão Intermédia.

 

Aulas 9 e 10_Introdução aos pressupostos

Nestas aulas procurou-se ensinar os alunos a identificar pressupostos (os elementos invisíveis de um argumento) e a perceber a sua importância enquanto aquilo em que o autor do argumento tem de acreditar (sem o escrever ou dizer) para que a conclusão do seu argumento seja possível. Procurou-se mostrar que, descoberto o pressuposto de um argumento, podemos não concordar com ele e, nesse caso, temos um bom motivo para não aceitar a conclusão que ele apoia.

 

Exercícios:

 

Encontra os pressupostos em que autor dos seguintes argumentos tem de acreditar para que as suas conclusões sejam verdadeiras:

 

1) O cérebro das mulheres é em média mais pequeno que o dos homens, daí podemos concluir que as mulheres são menos inteligentes que os homens.

 

[Pressuposto: o tamanho do cérebro de uma pessoa indica o seu grau de inteligência.]

 

2) O ladrão deve ter fugido pela escada de incêndio. Já não está no edifício, mas ninguém o viu sair e todas as portas têm um guarda.

 

[Pressuposto: vários]  

 

Nota: esta matéria foi mais bem assimilada pelos alunos mais velhos (13_15 anos) que eram capazes de encontrar/imaginar os pressupostos de um argumento, a maior parte das vezes, sem ajuda.

Para os alunos mais novos (10-13 anos) eram dadas pistas com alguns exemplos de pressupostos possíveis e era-lhes pedido que escolhessem um:

 

Por Ex:

E)    Há menos mulheres que homens a tirar cursos superiores.

F)     Alguns homens são mais inteligentes que algumas mulheres.

G)    Como as mulheres são em média mais pequenas que os homens é natural que os seus cérebros sejam mais pequenos.

H)    O tamanho do cérebro de uma pessoa indica o seu grau de inteligência.

.

 

 

Aula 11_Os cinco primeiros passos do Pensador Crítico

 

Nesta aula resumiu-se a matéria dada e ensinou-se aos alunos um esquema muito simples a que se chamou “Os cinco primeiros passos de um Pensador Crítico”.

 

1 – Encontrar a Conclusão Principal (C) do argumento.

É muito importante começar por perguntar o que é que o autor do argumento quer provar. Isso faz com que nos concentremos apenas no assunto principal e ignoremos aquilo que não é importante para o argumento.

 

2 – Quais são as Razões apresentadas?

Depois de encontrares a conclusão principal do argumento é mais fácil identificares as razões apresentadas em sua defesa. 

 

3 – Qual é a estrutura do argumento?

Quantas razões tem o argumento? Estas são apresentadas de forma independente ou conjunta? Existem razões intermédias?

 

4 – O argumento depende de alguma pressuposição? Qual?

Em que é que o autor tem de acreditar para que a sua conclusão seja verdadeira? Essa pressuposição apoia uma das razões ou uma conclusão intermédia?

 

5 – Desenhar o Mapa do Argumento.

Depois de encontrares os elementos do argumento é altura de tornares visível a sua estrutura e mostrares como é que eles se relacionam no argumento: (+), (¯), [Press]

 

Aula 12_Avaliação

 

Com o teste de avaliação no final do Módulo I pretendeu-se sobretudo avaliar a capacidade dos alunos em compreender e analisar a estrutura de raciocínios e argumentos.Para o Clube do Raciocínio (10-13 anos) usaram-se argumentos com uma estrutura simples e no Curso de Pensamento Crítico (13-15 anos) um argumento mais extenso e complexo.

 

h) Resultados obtidos no fim do Módulo I

 

De um modo geral os alunos do Clube do Raciocínio demonstraram compreender a estrutura básica de um argumento. Com uma ou outra excepção todos eles identificaram facilmente as razões e a conclusão principal dos argumentos apresentados. De um modo ainda incipiente (com a excepção de um aluno de 13 anos que desenhou dois mapas de argumentos correctíssimos) mostraram compreender que aquilo que dá força a um argumento são as suas razões e a forma como se relacionam entre si e com a conclusão. Compreender isto é um primeiro passo para os alunos deixarem de avaliar aquilo que lhes é dito de forma intuitiva e confusa, i.e., deixarem de olhar para um argumento, uma ideia ou uma opinião como algo que é aceite ou rejeitado como um todo. Começarem a olhar para um argumento como algo com uma estrutura mais ou menos sólida é um primeiro passo para se tornarem bons Pensadores Críticos.

 

 

Quanto às alunas do Curso de Pensamento Crítico, já eram muito boas alunas e, como não foi feita uma avaliação no início do Curso, é difícil quantificar os seus progressos. No entanto a forma como as duas analisaram um texto com mais de mais de 5 mil caracteres, começando por fazer um breve resumo do texto, identificando a sua Conclusão Principal, analisando as suas razões e conclusões intermédias, encontrando pressuposições pertinentes, desenhando um mapa do argumento bastante competente com as relações entre todos estes elementos do argumento e apresentando de forma criativa a avaliação global quanto ao que foi dito, a forma como o fizeram, dizia, não foi certamente aprendido nas aulas do ensino público português, que ambas frequentam.

 

É claro que uma lacuna deste curso a remediar é a falta de um teste inicial de aptidões à capacidade dos alunos em pensar criticamente. Ou será esse teste mesmo necessário? 

 

 

i) Objectivo final do Curso de Pensamento Crítico

 

No fim dos três módulos deste Curso de Pensamento Crítico espera-se que os alunos produzam melhores raciocínios, apoiados em crenças mais credíveis e razões mais bem fundamentadas. Consequentemente, que tomem decisões mais acertadas que aqueles que não desenvolveram tão bem as competências e técnicas de Pensamento Crítico.

As competências adquiridas num curso de PC são objectivamente valiosas e transmissíveis. Por outras palavras, não são para ser usadas apenas nas aulas de PC, mas ao longo da vida. Por exemplo, alguém que esteja apto para identificar e avaliar criticamente as provas que lhe são apresentadas num argumento terá maiores probabilidades de vir a possuir crenças mais seguras e razoáveis do que alguém ingénuo e acrítico. Não é difícil perceber que quem possui crenças mais razoáveis e mais sólidas acerca de seja o que for será menos vezes induzido em erro e tomará melhores decisões que aqueles que possuem crenças infundadas e irracionais.

 

 

 

 

Tomás Magalhães Carneiro